Utopia e Narrativas

Ontem participei da reabertura de uma pequena Biblioteca Comunitária aqui na comunidade onde moro. Um amigo, que é bastante envolvido com causas sociais, me convidou e ainda fez questão de me lembrar para eu não deixar de comparecer. Na minha cabeça só vinha aquele pensamento: “Lá vamos nós!” 

De qualquer forma, fui  até porque sou novo no estado, na cidade e no bairro onde estou morando atualmente. O evento foi simples, com poucas pessoas cerca de 30 no total, incluindo alguns professores.
Lá na Bahia em 2012, tentei criar uma biblioteca comunitária. Na época, consegui doações mensais da revista Sesinho, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Depois de meses de esforço, não consegui nenhum espaço para implantar a biblioteca e acabei desistindo do projeto, pois percebi que estava investindo muita energia em algo que não estava avançando como eu esperava. No fim, decidi doar as revistas para outras bibliotecas e para vários grupos culturais da minha cidade.
Pois bem, já estive presente em diversos eventos culturais e invariavelmente, surgem as fantasias, os devaneios, os discursos inflamados, sem falar nas hipocrisias e na tentativa constante de mascarar a realidade. Já comentei aqui que despertei, que consegui atravessar a espessa cortina de fumaça. A verdade é que muitos artistas e professores acabam apenas reproduzindo uma narrativa pronta que, de certa forma, é conveniente para a atuação deles,  seja como educadores ou como artistas que dependem das migalhas do Estado ou de um tapinha nas costas para alimentar o próprio ego.

A verdade é uma só: estamos no fundo do poço, e não vejo nenhuma luz acesa que alimente a esperança. Quem deveria dar o exemplo, age exatamente ao contrário. Aqueles que deveriam lutar por um país mais justo, valorizando a honestidade, a educação e o altruísmo, são os mesmos que SAQUIAM, PILHAM e ROUBAM compulsivamente, amparados pela certeza da impunidade. E isso se perpetua em parte, porque os próprios explorados continuam elegendo essa gente e se contentam com migalhas e "bolsas", como se isso fosse o suficiente para dignificar a vida.

Por: Romário Silva



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