Geraldo J. Souza, Professor, Artista plástico e Colecionador

Sua origem e naturalidade? Faço essa pergunta para que o público conheça melhor sua história.

R: Nasci em Salvador em 1975 e morei nos Barris, próximo à Praça da Piedade, até meus 5 anos, quando fui com minha mãe para Mussurunga. Sou filho único. Aos 7 anos, vim morar em Simões Filho, no bairro chamado Km 30.

Quando e qual foi a sua primeira manifestação artística? Em que momento você percebeu que tinha vocação para a arte?

R: Minha mãe conta que aos 4 anos eu peguei os giz de cera da escola e rabisquei as paredes próximas à TV, enquanto assistia aos "desenhos animados". Mas que eu me lembre mesmo, foi com 8 anos que meus colegas e amigos começaram a pedir para que eu fizesse as capas dos trabalhos deles, e diziam que eu tinha "a mão boa". Aí comecei a tentar desenhar tudo!

Suas primeiras influências e impressões sobre o universo das artes? Quem e quais foram os seus primeiros incentivadores e professores?

R: A questão de influenciar e incentivar se entrelaçam em minha vida, por isso vou dar uma resposta só para as duas questões. Comecei a entender o que era ser artista com meus professores de Educação Artística a partir da 5ª série (atual 6º ano) do Ensino Fundamental. Nunca vou esquecer como Mariú, Luiz Cláudio e Edson foram importantes para minha formação até o Ensino Médio. Mariú foi tão importante, que para me formar na Universidade, ela que me cedeu suas aulas para o estágio. Então, mesmo que haja os grandes artistas que acabaram influenciando minha forma de fazer arte, foram esses professores que realmente me fizeram enxergar que a ARTE (!) existe.

O que você acha do cenário cultural de Simões Filho?

R: É parado no tempo e no espaço. Se alguns grupos não fizerem algo, mesmo que isolado, sabemos que por meio dos governantes nada virá. Moro desde 1982 nesta cidade, e só vi a arte e cultura ser minimizada quase até ser extinta. "Mataram" a micareta, o Forró das Viúvas, os grupos de teatro, as quadrilhas juninas... Até as comemorações do aniversário de emancipação da cidade só acontecem por meio de fogos de artifício e muita falação política. As associações de bairro que mantinham cursos de artesanato, música, dança etc, não têm apoio das secretarias (in)competentes da Prefeitura. Reforçando, só alguns grupos muito decididos ainda tentam produzir cultura, mas de forma esporádica, utilizando de feiras ou mini shows nas praças do centro da cidade.

Você é professor de arte, de que forma os quadrinhos influenciam no desenvolvimento do seu trabalho? Qual a relação da leitura e dos quadrinhos na sua trajetória?

R: Novamente vou com duas perguntas em uma só resposta. Para entender essa influência, vou me valer de uma história: quando eu fiz 8 anos, minha tia-madrinha, Marinalva, me levou para a praia da Barra, e ficamos próximos ao Farol até a metade da tarde. Na hora de ir embora, paramos em uma barraca de metal para comprar água, e em uma das portas havia umas revistinhas. Ela deixou eu pegar 3: Capitão América, Pantera-Cor-de-Rosa e Zé Colméia. A partir dali, eu queria ir para a praia todo final de semana (!). E eu ainda tenho essas 3 revistas. Não é uma história ocasional, pois foi a partir dali que comecei a ler todo tipo de livro, revista ou jornal. Comecei a desenhar e escrever muito melhor. Estudava desenhando as lições como se fossem histórias em quadrinhos. Hoje em dia, incentivo minha filha e meus alunos a lerem. Se para os livros muitos fazem cara feia, com uma revistinha, um gibi, podem se interessar, como eu, até pelo estudo.

Quais são seus personagens favoritos?

R: Meu personagem preferido (por favor, não façam julgamento antes de ler tudo) é o Clark Kent. Sei que muitos o conhecem como Superman, mas tenho uma admiração pelo alter ego do "Escoteiro Azul" desde que comecei a ler suas histórias em 1984. Pensando em sua história, sendo um bebê lançado no espaço vindo de um mundo que morria e caindo em um dos poucos lugares onde não seria uma cobaia, mas sim amado e criado por humanos. Seu nome em kriptonês é outra sacada: Kal-El, que para os não versados em línguas antigas significa "Belo-Anjo". Cresceu na Terra aprendendo a controlar os poderes de modo a poder abraçar alguém sem quebrar sua coluna; a parecer desastrado para que ninguém reparasse em quanto poderia ser rápido ou ver mais longe; a vestir a roupa folgada e desalinhada para que seu físico não chamasse atenção; e o principal, para mim, é sua escolha de ser jornalista, uma profissão que precisa ser inteligente e estudar, ao invés de tentar dominar o mundo com seus grandes poderes. Ele teve os ensinamentos morais, religiosos e éticos de pai e mãe amorosos, mostrando que a família é a base da educação. E nesse mesmo paradigma, também gosto muito de Homem-Aranha e Hellboy. O (Homem-Aranha) Peter Parker por causa dos ensinamentos dos tios e da frase "com grandes poderes, vem grande responsabilidade". E Hellboy por ser um demônio invocado do Inferno, mas que foi criado por um senhor que lhe deu amor e sentido moral, o que fez ele lutar contra o mal e proteger as pessoas, e até se apaixonar por uma mulher super poderosa. Têm também os Cavaleiros do Zodíaco, os Transformers, as Tartarugas Ninja... Mas já deu para entender que os temas "Família" e "Moral" são importantes para mim e me influenciam nas escolhas dos personagens.

No universo DC Comics e Marvel existem personagens bem parecidos, o que você pensa disso?

R: Que a DC é muito imitada. Só para citar um exemplo temos o Esquadrão Supremo, que eram de uma Editora Malibu que foi comprada pela Marvel, e que são cópias diretas dos principais personagens da Liga da Justiça da DC. Não sou protetor de nenhuma editora, mas cópias não são o mesmo que homenagens. Você criar um personagem e dar o devido crédito ao original é legal. Mas casos como o Capitão Marvel, um menino chamado Billy Batson que grita Shazam e existe desde 1939, é do mesmo ano que o Superman. O Capitão Marvel ou Mar-Vell (da Marvel Comics, que pertence agora à Disney) foi criado em 1967. Mas mesmo assim a Marvel conseguiu fazer através de um processo jurídico, em 2011, que o Capitão Marvel da DC ficasse somente com o nome de Shazam. Coisas do santo dinheiro...

Na sua opinião CRISE NAS INFINITAS TERRAS foi até hoje o maior evento dos quadrinhos?

R: Com certeza. E foi a partir dali que fiquei fã da Liga da Justiça, Novos Titãs, Legião dos Super-Heróis, Aquaman, Flash e muitos outros. Até hoje a Marvel tenta algo naquele porte, mas não consegue.

A Marvel se tornou uma das pioneiras em trazer seus personagens para o cinema, o que acha dos filmes?

R: Foi ótimo! Uma ideia original de interligar filmes como se fossem revistinhas. De contar algo antigo como se fosse atual e de uma forma concisa.

Homem de Ferro, Capitão América, Thor e Vingadores, qual sua opinião sobre os filmes?

R: Poderiam dar uma ênfase melhor nas origens como se fossem mais próximas às das histórias em quadrinhos, mas em um âmbito geral e como entretenimento, foram super válidos, por fazer os antigos fãs assistirem com novo olhar e fazer surgir novos fãs.

Expectativa para Liga da Justiça? Um dos filmes mais esperados pelos DCnautas.

R: Se "Batman e Superman: A Origem da Justiça" for o primeiro passo, o filme tem tudo para superar os "Vingadores". Personagens prometidos: Aquaman, Flash, Cyborg, Shazam, Lanterna Verde, Mulher Maravilha (claro!), e talvez O Caçador de Marte (aí seria demais!). Se forem feitos com um pouco de cuidado, podem vir a se tornar os preferidos de uma geração que só viu a Marvel-Disney. Espero que tenham um sentido super-heróico clássico (bem contra o mal), um enredo afiado e personagens que convençam.

Abração!


Por: Romário Silva




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