ENTREVISTA COM JOHANN PEER

1990 - (Onde tudo começou!!!!!)

1989, um   ano antes daquela que se tornaria a década tida como uma das mais criativas e expositivas do cenário rocker na terra do massapê, havia o grupo “Curto Total”, liderado pelo vocal e guitarrista Márcio, mais conhecido como Lobão. Daí por diante, surgiram uma leva de jovens que   agitaria a antes pacata Santo Amaro da Purificação, com seus distorcidos e sonoros acordes ao ritmo do Rock e suas vertentes na mais autêntica expressão e bandeira do “Your Self” (Faça Você Mesmo!).

Todo este processo viria a tona a partir de uma tarde ensolarada de 20 de agosto de 1990, quando o então vizinho Sérgio Aquiles, me apresentara a   Jason, (a época ostentando camisa listrada de cor vermelho e preta, com o símbolo do Engenheiros do Hawaí - uma de suas bandas prediletas). O jovem, recém chegado da capital, se tornaria   futuramente guitarrista e líder da lendária Contracultura. Começamos a entabular conversas sobre nossas preferências e afinidades musicais, que se solidificara ao longo do tempo em grandes parcerias a nível de composições do quilate de obras como: Filhos do Vício, Poesia do Submundo, Nazista Infernal, Passageiros do Tempo, Contraponto, Incertezas, No Meu 4º, Contracultura, Mutações, O Nada, entre outras.  Destas   concepções   musicais e poéticas, fomos maturando a ideia de formarmos uma banda. Daí que, durante o curso de Papel e Celulose no extinto Polivalente, conheci um magricela, cabeludo, de grandes orelhas apelidado de Coruja, (fã de grandes bandas como Led Zeppelin), que já dominava a arte de tocar bateria, aí somando-se a Flávio (mais conhecido como Pentelho), no contrabaixo, surgira a “F.D.T.” (Filhos da Tribo), da qual fiz parte de suas primeiras formações como vocal e letrista.” Contracultura”, inclusive foi a segunda colocada no Festival de Música da SELIBASA, (Semana do Livro Baiano em Santo Amaro), realizada em setembro de 1991, no Teatro do Centro Educacional Teodoro Sampaio, recebeu menção honrosa da parte de um dos expoentes da nossa música Roberto Mendes, (que fez parte do corpo de Jurados) que nos disse: Esta música, “Contracultura”, pode ser o céu ou o inferno de vocês! Pois   que, o arranjo da canção tinha desconcertantes toques que remetia ao som do berimbau em sua introdução e daí por diante desaguava no puro som do rock n’ roll, além dos versos da letra que citava em seu contexto a abordagem sobre a cultura massiva, predominante e vigente a época: A Axé Music. Não por ironia,” Contracultura”, viria a ser o nome daquele que seria um dos melhores era grupos de Rock da região em todos os tempos. Cheguei a fazer parte dos primeiros ensaios para a estreia da mesma para as Festas da Purificação de 1992, durante a “Noite do Rock” como banda de abertura para o então grupo Dikara de Salvador. (Mas por motivos internos, saí uns dez dias antes da apresentação   oficial, levando embora todo meu calhamaço de letras.) Mesmo assim conservamos a amizade e antigas parcerias e foram nascendo mais composições. Com isso,  o panorama  rocker, cada vez mais crescente  e diversificado, reunindo seja no chafariz da Praça, todos os  fins de tarde e noite, jovens e mais jovens idealistas, pensadores, escritores, poetas, compositores, artistas plásticos, e músicos, amantes das mais variadas vertentes do Rock n” Roll do Pop nacional ao mais puro Metal, regado a muito vinho, violão, poesia e contestação a flor da pele.Com o claro desejo de quebrar regras e ditames da então sociedade conservadora, elitista, hipócrita e reinante na cidade. Jovens vestidos de preto, com seus jeans e coturnos, muitos cabeludos outros nem tanto, mas com o mesmo intuito de soltar a voz, exorcizando todos os seus “Demônios”, através das suas guitarras, contrabaixos e baterias, indignação e poesia, por anseios de liberdade e transformação de toda aquela nefasta realidade social e comportamental a sua volta em uma   nova concepção e atitudes de ver mudança.
 Para tanto, foram realizados inúmeros Fests Rocks, onde sem nenhum tipo de apoio seja logístico, empresarial, comercial, gestores culturais e “politiqueiros de plantão”, muitas e muitas vezes transportávamos e carregávamos equipamentos de sonorização, iluminação, instrumentos e demais acessórios nas costas, ou a empunhar carrinhos de mão, tocando em espaços fechados como a casa de Nal (Naldo), Marcinho, no Bar de Pank (Ideal),ou locais abertos como a Praça do Riachuelo, onde aconteceu evento em 1994, com a presença de bandas, como Injúria de Salvador, e onde também me apresentei, juntamente com outras bandas locais, com a cobertura do TELEFANZINE, de Edinilson Sacramento, que em 2004 lançou e editou a Obra “Rock Bahiano-História de Uma Cultura Subterrânea, onde  meu  trabalho  foi citado  por conta  da Inumanos em  Salvador. A obra supra citada ajudou a   divulgar muitas bandas e artistas do cenário   rocker baiano desde os anos 50 com   Big Ben e Raulzito e os Panteras, passando pelos anos 60,70,80,90 e 2000.No ano de 1994   fui convidado a se apresentar no programa 7+7 da Tv Band ao lado do guitarrista Lee Sócrates. Em 1995, gravei   meu primeiro Cd Demo “Poesia do Submundo” no Belwedere Stúdios em Salvador. Neste mesmo ano foi realizado I VIVAR’T,com a presença de inúmeros artistas locais de todos os gêneros e segmentos artísticos e culturais, contando com a ilustre participação de um dos maiores Mestres de Capoeira do Recôncavo-Mestre Ferreirinha (Já falecido).
Nas Festas da Purificação, me apresentei  nos anos de 1993, (com Jason  nas guitarras),1994 e 1995 (Peer: voz e composições) ,Jackson  (Guitarra),Adriano Franklin (Contrabaixo), e Coruja (Bateria).1996:Peer (Voz e composições),Jackson (Guitarra),Preto Paulo (Contrabaixo) e Davi (Bateria),em 2001:Peer (Voz e Composições),Lee Sócrates (Guitarra),Vinny (Guitarra),Juscelino (Contrabaixo), Jakson  Adlerme (teclados) e Tony Batera (Baterista)2004:Peer (Voz e Composições),Lee Sócrates(Guitarra),Juscelino (Contrabaixo) e Tony Batera(Bateria).Em 2012 eu  e Paizinho do Sax, fizemos   participação especial no show a convite  do artista e compositor Santoamarense, Dinho Fagundes. Fundei e participei   da banda de Rock   Madrasta Mãe em São Paulo nos anos 2000, e ao final desta retornei a carreira solo. Participei de diversos shows e eventos e recebi prêmios   importantes   em São Paulo, Rio de Janeiro e MG. Além de ser reconhecido no exterior pela minha   participação em filmes independentes. Em 2008 fui premiado com o Prêmio Artista Revelação pela GRC Music. Em 2010, editei e lancei pela Artpop-RJ o livro de poesia “Passageiros do Tempo”. Também, fui contemplado com   Prêmio   Troféu Personalidade Artpop-2012- Categoria Música. Recentemente em 2015, no palco do Teatro do Céu de Sapopemba-SP, fui outorgado com   Certificado de Honra ao Mérito por relevantes serviços prestados a Arte e a Cultura Brasileira no II Prêmio da Faculdade Livre de Música-Maestro Eduardo Roz.  Ainda em 2015, voltaria a me apresentar no palco do Espaço Global em comemoração aos 25 anos de Rock Santoamarense com a apresentação de bandas como: Dialética, Batalhão de Estranhos, Hélcio Helan, Peer & Banda, Expurgados (Salvador), Contracultura, Naúsea e Feto Amargurado.
A Naúsea no ano anterior fora a banda de abertura do show “Peer:25 nos de Rock n” Roll!” realizado no Teatro Dona Canô. Em 2007, no mesmo local promovi e realizei   o show “Passageiros do Tempo” que contou com presença de grande público e subi ao palco com a seguinte formação: Peer (Voz, Guitarra e composições), Lee Sócrates (Guitarra), Adriano Pakderm (Contrabaixo,) Diogo (Bateria) e participações especiais de Jason (Guitarra), Idelmar de Oliveira (Contrabaixo e Voz) e Ediney Santana (Voz e declamação de Augusto dos Anjos).
Peer também se apresentara recentemente no projeto “Prelúdio do Rock” realizado em 19 de zembro de 2015 em São Sebastião do Passé, com a presença de grupos como: Feto Amargurado (Santo Amaro), Colt 45, Oitentados e Lado Oculto (São Sebastião) e uma banda de Metal de Simões Filho.
Fui convidado pelo Maestro e Produtor Eduardo Roz para fazer parte de um documentário sobre o panorama musical brasileiro, com a presença de vários artistas de renome, a ser lançado em breve pelo canal Netflix.


Por Romário Silva

Comentários

Anônimo disse…
Me orgulhei muito de ter feito esta entrevista para meu amigo de longa data,Romário Silva,Artista Plástico e Arivista Sócioculturale responsável pelo blog Aquarela.Vida longa a ti meu amigo sucesso