Mesmo após a morte do cinegrafista Santiago Andrade em protesto no Rio de Janeiro, black blocs de São Paulo prometem radicalizar durante a Copa do Mundo e não descartam nem mesmo ataques contra delegações estrangeiras."Se não formos ouvidos, a gente vai dar susto em gringo. Não queremos machucar, mas se for preciso jogar (coquetel) molotov em ônibus de delegação ou em hotel em que as seleções vão ficar, a gente vai fazer", disse ao jornal Estado de S.Paulo Estudante Pedro (nome fictício).
O objetivo dos vândalos, Pedro, é fazer com que estrangeiros desistam da Copa. “Se uma seleção sentir que há risco de vida, eles vão querer continuar aqui?”, afirmou o jovem, morador de Itaquera, na zona leste. Pedro disse ainda que os black blocs de São Paulo estão fazendo treinamento físico para os protestos contra a Copa, incluindo a prática de artes marciais. “Todo mundo deve se preparar porque a Polícia Militar vai vir em peso.”
As ações dos black blocs, segundo Pedro, são organizadas por pequenos grupos – há até dez deles em São Paulo – de até 30 pessoas. "A gente evita falar pelo Facebook. Essas estratégias combinamos pessoalmente ou pelo Whatsapp. Para te dar essa entrevista, eu tive de consultar os outros adeptos", contou. Para as manifestações contra a Copa, Pedro acredita que o número de participantes será maior do que os quase 300 que os protestos têm reunido atualmente.
O próximo grande ato contra a Copa está programado para o dia 22, sábado, em várias cidades do país. Mais de 10 mil pessoas confirmaram presença na página da manifestação da capital paulista no Facebook.
A trilha sonora ignorada pela multidão nas manifestações
O primeiro homem a colar a si próprio a etiqueta de anarquista foi o filósofo francês Pierre-Joseph Proudhon. Em 1840, comparava a propriedade privada a roubo. Entre seus muitos arroubos e erros, o próprio Proudhon produziu um dos mais belos elogios que se pode fazer à diversidade de pensamento e à capacidade do indivíduo de decidir por conta própria. Ele afirmou que, abrigados no anonimato e na multidão, os homens dariam apenas respostas “estúpidas, incoerentes e violentas”. Na multidão, eles não hesitariam em apoiar a ditadura da maioria sobre a minoria.
No fundo, aquilo que os atuais anarquistas brasileiros imaginam ser “democracia” é essa ditadura. A democracia de verdade não aceita violência nem anonimato. É verdade que se trata de um sistema político lento, cheio de falhas – e que, nos últimos anos, tem gerado no brasileiro frustração e expectativas difíceis de realizar.O fato é que não podemos ficar de braços cruzados enquanto o país vai se afundando em violência e corrupção, mas é de vital importância lutar e cobrar uma reforma política total e transformadora. (opinião pessoal)
Fonte: Revista Veja

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